Este texto escrito pelo Daniel Oliveira no seu Arrastão traduz na perfeição a minha forma opinião relativamente a este assunto. Por isso, tomei a liberdade de o transcrever:
"E os Oscares, esta noite, foram, como se esperava, para um teledisco com a pobreza num cartão postal de cores fortes. Uma fotonovela de amor mal amanhada com a personagens com a mesma densidade de uma série para adolescentes. Realização para encher o olho e um retrato India digno de um guia turístico de bolso. Valeu a pena esperar para saber que, no meio daquilo, o trabalho de Sean Penn era reconhecido.
Em Milk, Sean Penn mostrou, mais uma vez, que tem aquela capacidade extraordinária, como tão bem explicou Robert De Niro quando o apresentou (e sabe do que fala), de desaparecer nas suas personagens. Quem, depois de Pean, pode imaginar Harvey Milk de outra forma? E o mesmo aconteceu com Matthew, em Dead Man Walking, Paul, em 21 Gramas, Samuel, em O Assassino de Richard Nixon, o sargento de Casualties of War ou o pai desesperado de Mystic River. E quem reconhece o mesmo actor em cada uma destas personagens? A noite em que um filme de quem ninguém se lembrará daqui a uns anos levou uma batelada de Oscares foi salva por este Sean Penn. Vê-lo de novo num filme de Clint Eastwood, é tudo o que desejo.
Uma pessoa olha para o excelente cinema que se continua a fazer na América e para aqueles aquilo a que, esta noite, deram os Oscares, e pensa: dá Deus nozes a quem não tem dentes. Depois, como sabemos, não é bem assim."
O tucano caleidoscópico
Há 34 minutos
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